Mostrando postagens com marcador Cidadania e Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidadania e Política. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Será que o Tiririca já aprendeu o que faz um Deputado?

Aff, que canseira!!!!! ficar apagando postagem de quem compartilha propaganda eleitoral no face... Não, eu não sou alienado, não sou inconsciente nem "analfabeto político", como disse o B. Brecht... Quando alguém não quer saber disso aí é logo tachado assim. É um posicionamento assumido muito mais em função daquilo que TODOS aqueles em quem votei no passado [pessoas e partido], demonstram no trato da "res-pública": Total imoralidade; quer na distribuição de cargos, nas alianças feitas, na inobservância da lei, nos desvios, na sensação do princípio da farinha do mesmo saco, na utilização da regra de que os fins justificam seus meios, etc... e ainda querem empurrar-me o financiamento público de campanha - ou seja - me roubar mais um pouco, com a desculpa de combate à corrupção e transparência... Tô afim de votar em ninguem não... PELO FIM DO VOTO OBRIGATÓRIO!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Leitura de um Dous de Julho em 2012


Depois de um período recôndito, estou voltando a escrever no Meu Blog na Rede, pois se avizinha a época do processo eleitoral (que já começou de fato), e com ele o de sempre ou mais do mesmo, não sei... O que sei é o que vi, e o que vi e ouvi nas ruas durante a festa da Cabocla e do Caboclo foi um rumor de insatisfação, de decepção generalizada.

Minha percepção é esta: A "esquerda" baiana está destruindo com suas próprias mãos, arrogância e inabilidade, em apenas 8 anos, o que levou décadas e "anos-de-chumbo" para construir, deixando orfãos seu eleitorado, pois sentiram o doce sabor do poder, esquecendo-se de suas origens - A direita vem forte.

Estão todos engravatadinhos, de brilhantina nos cabelos e saltos Scarpans... Ocupam assessorias e cargos públicos sem concurso; cometem as atrocidades que diziam... denunciar...  e o "proletário" continua na lama: financeira, intelectual, moral e espiritual - perderam sua identidade popular.
 
Aqui é verdadeira a letra da canção da Elis:

"Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal..."

http://www.vagalume.com.br/elis-regina/como-nossos-pais.html#ixzz1zoIYmFRe

quinta-feira, 29 de março de 2012

Parabéns P'ra você?

Hoje, Aniversário da Soterópolis - Cidade do Santo Salvador(Jesus) da Bahia de Todos os Santos, como melhor lhe retrata o nome. Cidade Gloriosa em seu passado, cuja importância os livros atestam, hoje abjeta; é apenas um simulacro de sua vocação original, onde sua população agonizante e sua Elite rastejante, depreciam a cada dia sua poesia, sua arte e sua maestria. Não há motivos para parabenizar Salvador pois ela se veste de luto.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Greve de hipocrisia.

A situação vivenciada em Salvador, nós últimos dias, está tirando a máscara de muita gente: uns se omitindo aliados do PODER; outros querendo lucrar politicamte com a miséria do povo. Enquanto alguns querem fazer politicagem com  tragédia - motivada por arrogância política - o crime está tirando vidas, esperanças e paz.

 A despeito da reinvindicação justa, pois a PM merece melhores salários (como todos os demais servidores que não usam armas) o que vem sendo feito efetivamente é uma chantagem cuja moeda de troca são vidas inocentes e o objetivo eleitoreiro está patente em quem organiza o caos.

As mortes e os prejuízos são de responsabilidade dos Grevistas - que sabiam das consequências desse ato e do Governo que permitiu e não negociou objetivamente como faz na hora de atender os pleitos da classe empresarial. Ambos cumplices, pois estão ai para cuidar do povo e não negociar com a vida de todos nós.

 http://www.youtube.com/watch?v=WH_8ISzvQw4&feature=share

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

DO ESTUPRO E DA ESTATÍSTICA

Para iniciar o primeiro posto de 2012 vamos da a nossa opinião sobre a polêmica do momento. Eu nem queria falar sobre o Tal BBB; esse veneno que já dura 12 edições, porém como o assunto está cheio de debatedores vou dizer o que eu penso, reproduzindo a idéia de um texto que vi por ai... Internet a dentro - com as devidas precauções digamos, para manter um nível mais ameno:

"Antes de mais nada gostaria de definir para vocês a diferença entre estupro e estatística, sabem? Pois bem, ESTUPRO é quando uma [@#$%¨&;*] cheia de fogo e cachaça no [@#$%¨&;*], se deita com um [@#$%¨&;*] na mesma cama e reclama de que amanheceu sem o seu short, e que não se lembra de nada, e que ainda está sendo vista por milhões de pessoas, isso é estupro. ESTATÍSTICA é quando milhares de crianças, jovens e mulheres são violentadas sexualmente todos os dias, mas de forma anônima, isso é estatística". Sinceramente, acho hipocrisia o que muitas pessoas estão falando, vamos usar o bom senso: 12, 14, sei lá quantos desocupados em uma casa, vigiada por todos os lados... Homens e mulheres, festas regadas a muita cachaça e outras drogas (Quem garante que não?), quartos divididos por homens e mulheres, CAMAS dividas por homens e mulheres semi-nuas, bêbados e jovens!” : Autor desconhecido. 

A meu ver, idéia central desse "entretenimento" é colocar pessoas diante dos seus limites psíquicos; provocar situações de estresse e ter "IBOPE" através do choque e da imoralidade consumida por cada um de seus telespectadores. 

Assim, a fofoca, a maledicência, a sexualidade, o "estupro", a bebedeira e "otras cositas más", são levadas para dentro dos lares e mentes de TODOS, semeando os subconscientes lentamente e cultivando cada dia mais o senso de indiferença, numa espécie de cauterização mental. 

Portanto para mim não foi estupro e sim GANG-BANG. e cada um dos espectadores deveriam ser indiciados conjuntamente com a emissora como cúmplices. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cala a boca Nordeste!

O texto a seguir reproduzido, de José Barbosa Junior, fala por si... trata do pensamento pequeno-burguês sulista que aos poucos (a título de "zuação"...) vai sendo propalado nas redes sociais me fazendo sentir pena de uns, nojo de outros... e grande preocupação com o sentimento NAZISTA que tal pensamento engendra.

Tomei a liberdade de reproduzir o conteúdo do referido autor, em homenagem especial aos tocedores do Goiás que, no Barradão, nos chamaram (a todos) de nordestinos "passa-fome"... e, como estes tais, muitas outras pessoas, das quais ESTUDANTES - pasmen - que são assim: MEDIOCRES de coração e NAZISTAS de pensamento...

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

José Barbosa Junior

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Apartheid de Interesses

Ao ler o artigo publicado na sessão Opinião do Jornal a A Tarde, edição do dia 23/08/2011, sob o título Apartheid urbano e, apesar da tentativa até certo ponto poética engendrada pelo seu autor, não pude deixar de me questionar sobre alguns pontos, que me pareceram equivocados na abordagem, sobre o caráter social do transporte público de alta capacidade, o que me motivou a contestar a visão veiculada.

Exclusão social em Salvador existe faz tempo e, com efeito, não me parece ser causada somente pelo modal de transporte, mas por todo um modelo de sociedade que temos, envolvendo questões conjunturais e estruturais muito mais profundas. A despeito da questão social, tão latente e patente em Salvador já de há muito, o autor esquece de observar suas raízes, analisando sob uma ótica bastante particular, apenas um de seus multiplos reflexos, que em sendo reflexo, não é causa.

Esqueceu de dizer que é preciso pensar a Cidade da Bahia a longo prazo, para além de 2014, e assim se buscar corrigir o equívoco histórico (equívoco!?)que ocorreu em Salvador, de fazer do modo rodoviário a peça fundamental do modelo de transporte de passageiros, quando deveria ser ele complementar a um sistema de alta capacidade integrado e diversificado em seus modais (Metrô, Trem, VLT's, Sistemas de estacionamentos...), pois no que tange ao sistema de tranporte, os modais deveriam ser complementares e não concorrentes.

A meu ver, em sua avaliação o autor parte de pressupostos inconsistentes para justificar apenas o descontentamento de sua Corporação com a possibilidade de não exercer o controle do modal proposto para a Avenida Paralela, como o faz com todo o restante do sistema de transporte coletivo em Salvador, que no seu atual modelo de gestão, nada tem de solidário, inclusivo, justo ou socialmente responsável. Mas, tomando emprestada a sua poética, certamente a "garotinha carioca" se impressionaria com as filas para validar smartcards e mesmo com a forma como é gerenciado o tal cartão, que tem nome suigeneris (cartão-esperto...); teria ela se alarmado, tentando entender a equação das letrinhas, dessa famigerada integração aberta que nem abre nem integra! Pararemos por aqui, não quero traumatizar tão doce criança carioca, como já devem estar as soteropolitanas .

O referido autor sabe, francamente, que o problema central de sua motivação literária não está no “apartheid” causado a partir do eixo estruturante das vias, nos modais utilizados, ou na exclusão de bairros populares (já excluídos desde sempre, mesmo no modelo rodoviário existente) e sim no apartheid de interesses corporativos de quem vai ganhar o quê e quanto... Em quanto poder econômico está em jogo nessa disputa de interesses incertos, pois dentre todas as incertezas somente uma é inexoravelmente certa: o perdedor tem sido o cidadão de Salvador.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Eleição, valetudo, mídia e ética... e o Brasil

Tomei a liberdade de reproduzir carta do intelectual Leonardo Boff devido à sua clareza, exposição objetiva e contundente. Espero que a leitura seja agradável e proveitosa no sentido de nos fazer refletir no papel dos veiculos de comunicação e na qualidade da informação veiculada e incutida em nossas mentes e subconscientes.

Espero que o autor nao se incomode com a reprodução do seu texto na integra, como segue:


"A Mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma


Leonardo Boff*

Sou profundamente a favor da liberdade de expressão em nome da qual fui punido
com o “silêncio obsequioso ”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser
preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil
Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes
militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida, me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual
enfrentamento entre o Presidente Lula e a mídia comercial que reclama ser
tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de
idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está
havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota
eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a
candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de
fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus
interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia”
mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob
tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da
Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão
cínica e o que há de mais falso e xulo da imprensa brasileira. Estes estão a
serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o
povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e
fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa,
esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos,
editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta
autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado
com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista.
Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande
tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a
Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o
mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem
meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do
peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e
Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada,
antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se
reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu,
pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou
seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou
sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação,
conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que
lhe pertence(p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os
pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor
do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente
como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo
devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o
Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram
conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de
onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e de
“fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos
nós”, frase tão distorcida por essa mídia raivosa, quis enfatizar que o povo
organizado e consciente arrebatou a pretensão da mídia comercial de ser a
formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à
ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes
de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si
mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma
revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do
povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de
brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se
fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média.
Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola,
a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição
de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já
beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora
ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias
e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual
há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer
que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção
dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora
e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que
assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica,
não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática
do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas
delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava
preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico
que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos
sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA
faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com
referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de
produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a mídia comercial e Lula/Dilma é a
questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e no
fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos,
antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para
construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas
estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a
despeito das má vontade deste setor endurecido da mídia comercial e empresarial.
A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com
suor e sangue por tantas gerações de brasileiros."

*teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da
Carta da Terra.